Um mau DELEGADO, pode ser um bom PREFEITO?

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O bom prefeito é aquele que está a serviço do município. Espera-se dele, fidelidade ao seu povo, expressa no cumprimento de um programa de governo previamente elaborado, capacidade administrativa, liderança política, bom conhecimento dos assuntos da cidade, equilíbrio no enfrentamento de crises, postura de diálogo e hábito de trabalhar com planejamento.


Em Imperatriz, um delegado de polícia cuja credenciais não correspondem ao que se espera de um bom gestor corre o risco de chegar à prefeitura. É Assis Ramos, do PMDB, que ascendeu à categoria de liderança política como um jabuti trepado em árvore, por mão de gente como Roseana Sarney, João Alberto, Chiquinho Escórcio e Aluísio Mendes, após não encontrar abrigo nos galhos sujos de petróleo do PP de Waldir Maranhão.


Nascido no Piauí, Assis Ramos entrou na polícia civil pela janela, via mandado de segurança. A partir daí, passou pelas delegacias de Pedreiras, Açailândia, São Pedro da Água Branca e Imperatriz, de onde foi deslocado em 2015. Em Imperatriz, diga-se de passagem, ganhou notoriedade graças à benevolência da imprensa, que logo se transformou em cobranças pela não resolução do emblemático caso Iron.




[caption id="attachment_1601" align="alignleft" width="300"]professor-iron Professor Iron, brutalmente assassinado a 3 anos, até hoje sem solução[/caption]

Há pouco mais de três anos, o assassinato do professor Iron Vasconcelos causou comoção popular. Então delegado regional de Imperatriz, Ramos tomou para si a responsabilidade pela apuração do crime, prometendo resolver com mais brevidade possível. Chegou, inclusive, a anunciar uma coletiva para anunciar a resolução do caso. No entanto, por razões desconhecidas, engavetou as investigações do crime em cima da hora, sem maiores esclarecimentos.


O “lobo em pele de cordeiro”, segundo a delegada Virginia Loiola, protagonizou um dos episódios mais lamentáveis por parte de uma autoridade de segurança pública. Mandou soltar um preso de Pedreiras, identificado como Antonio Doriel, para servir de churrasqueiro em uma confraternização de policiais civis. O escândalo acabou engavetado pelo ex-secretário de Segurança do Maranhão, Aluísio Mendes, hoje deputado federal e patrocinador da candidatura de Assis a prefeito, sem  a devida apuração.


Contra o delegado que se auto-intitula como bastião da honestidade, também pesam sindicâncias de 2015 e 2016, por uso irregular de um veículo oficial, que capotou no município de Caxias, e pela constante ausência dos plantões policiais em horário de trabalho, como denunciou recentemente uma família de Açailândia, que buscara atendimento policial após um sequestro relâmpago.


No domingo passado, em debate na TV Mirante, o candidato Ildon Marques (PSB) provocou Assis Ramos com perguntas à principio aleatórias sobre pena de morte e estupro de menores. Talvez o questionamento fortuito do ex-prefeito fizesse sentido para a família de Iron, talvez para a família da menor encontrada entre as avenidas Henrique Dias e Coriolano Milhomem, em 2013, supostamente atacada por um empresário do ramo de couros. Outro caso que descansou nas gavetas de Ramos durante sua passagem pela delegacia de Imperatriz, embora ele tenha se comprometido, em reportagem do jornal O Progresso daquele ano, a elucidar o caso o mais rápido possível.


A julgar pela carreira de Assis Ramos como delegado de polícia, Imperatriz corre sério risco de voltar ao passado, à época dos crimes não elucidados, acobertados por autoridades pública com dever de esclarecê-los e de cuidar do bem estar da sociedade em geral. À época da impunidade, da pistolagem, da Operação Tigre. Deve ser por isso que o senador João Alberto, padrinho da campanha peemedebista à prefeitura, sugeriu que o pupilo usasse a alcunha de “xerife” em sua campanha eleitoral, tal qual em filmes de Velho Oeste.

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